sábado, 17 de janeiro de 2009

Castigo de educadora a criança de quatro anos indigna pais

Uma educadora do Jardim-de-Infância do Cano, concelho de Sousel, é acusada pelos pais de um aluno de ter abusado no castigo aplicado ao menor de apenas quatro anos. Na passada terça-feira, depois da hora de almoço, a docente terá baixado as calças ao pequeno Diogo, obrigando-o a permanecer despido perante cerca de 20 colegas na sala que frequenta.
"Foi humilhado pela professora. Até aqui não tínhamos razões de queixa e já está com ele há ano e meio, mas desta vez passou das marcas", disse Marco Bicho, pai do Diogo.
"O meu filho fez um dedo feio no refeitório aos colegas e depois a educadora castigou-o já na sala", acrescentou o pai.
A criança, segundo o relato ouvido pelos pais a outras crianças e funcionários do estabelecimento acabou por "chorar de frio", tendo voltado a vestir as calças com a ajuda de uma auxiliar.
Apesar de não ter sido feita nenhuma queixa por parte dos familiares, a GNR esteve com os pais do Diogo e vai comunicar o caso ao Ministério Público com base nos factos que têm vindo a ser revelados.
A Direcção Regional de Educação do Alentejo referiu que o caso está a ser analisado pelo Agrupamento de Escolas de Sousel, que iniciou um processo de averiguações de onde consta a audição de todas as partes envolvidas. O relatório, segundo o agrupamento, será apresentado na próxima terça-feira e, caso se confirme os factos, poderá recair sobre a docente um processo disciplinar.

Este caso reportou-me para a minha infância e, nomeadamente, para a altura em que frequentava o 1º ciclo. Se hoje um professor ao bater ou castigar uma criança é punido e alvo de processos disciplinares, nessa época, e estamos a falar de apenas há 25 anos atrás, era uma atitude considerada normal. Poucos eram os dias em que não chegávamos a casa marcados.
Lembro-me que o meu professor tinha dois tipos de canas. Sim canas!!!
Uma, maior, era utilizada nas alturas em que ele não lhe apetecia levantar da cadeira e, esticando-se um pouco, conseguia acertar com ela na cabeça de qualquer aluno mesmo que este se encontrasse nos últimos lugares da sala de aula. A outra, mais pequena e “mais maneirinha”, era usada quando ele percorria a sala.
Se alguns dos meus colegas de turma lerem este post tenho a certeza que se irão rir, mas nesta altura não achávamos muita graça e até tínhamos receio de ir às aulas.
Não sou apologista de o aluno fazer o que quer… Não é isso. Até considero que um puxão de orelhas nunca fez mal a ninguém. Agora temos que ter muita atenção aos tipos de castigos que são aplicados.
Não quero que o meu filho passe por aquilo que passei e que a escola para ele não seja apenas encarada como um local onde, à partida, saberá que irá ser castigado.

6 comentários:

Canense disse...

Ao que parece, as coisas não se passaram bem assim.
O pai do miudo é um pirrónico, frustrado e revoltado. Para ele, tudo está mal.
E o puto é um traquinas, a quem os pais não têm dado especial educação.

Jorge Pereira disse...

Caro canense,
concordo que os pais são fundamentais na educação dos filhos e que não deve ser fácil lidar com um miúdo irrequieto. No entanto, e educação paterna à parte, uma situação não invalida a outra. Está mais que comprovado por diversos estudos que este tipo de repreensões não dão educação e que atormentam e revoltam os alunos. Um professor tem a obrigação de o saber!
Educar, ensinar a comportar-se não tem que ser feito através da humilhação...

CM disse...

Quando se leva uma criança á escola estamos a confiar grande parte da educação dos nossos filhos nas mãos dos professores e de todo o pessoal auxiliar que trabalha na escola!Sem querer com isto dizer que os pais não são os principais responsaveis pela educação dos filhos. Hoje em dia muitos são os casais que trabalham os dois cônjuges, sendo que as crianças passam a maior parte do dia sob a responsabilidade da escola, esperasse portanto que a escola tenha um papel muito importante na sua educação, que conserteza NÂO passa por mandar baixar as calças a uma criança em frente aos colegas tenho a serteza de que esta educadora com a imaginação que tem conserteza consegue arranjar castigos mais apropriados para uma criança. senão qualquer dia arriscasse a ter de baixar as calças em frente aos colegas por mau. comportamento!

Anónimo disse...

Não querendo parecer tendencioso, pois também o condeno de certa forma, vejo que toda a gente crucifica a professora por ter baixado as calças ao miúdo.
- No entanto quantas palmadas e sovas injustificadas ou incompreendidas lhe terão dado os pais sem que ninguém se "REVOLTASSE"
Pensem nisso!!!

P.Ferreira disse...

Que tem uma coisa a ver com outra? Os pais dão a educação que muitas vezes eles próprios tiveram,os professores não! Um professor tem formação para ensinar e para saber lidar com situações destas e penso eu,que pelo menos por agora,ainda não ensinam nas faculdades a humilhar crianças desta forma. Os pais não tem formação para o ser, nem recebem um ordenado para formar e educar o seu filho,como recebe esta professora para o fazer. Não sei quem é esta professora e prefiro mesmo não o saber, mas pesso-lhe qu ecoloque a mão na consciência e veja o que fez a uma criança que tem apenas quatro anos.

Anónimo disse...

Eu tambem sou mãe, e é dificil por vezes, porque faço os dois papeis de pai e mãe ao mesmo tempo. Defendo que a EDUCAÇÃO, deve ser dada em casa, pelos pais, na escola eles aprendem a escrever, a ler, e tudo mais, se as crianças tiverem uma educação dita "normal" em casa, de certo que na escola se irão comportar da mesma forma, certo é que muitas vezes são influenciados pelos colegas, mas são CRIANÇAS.
Acho que foi um acto inconsciente por parte da professora, e se fosse o filho dela?
Ha castigos que podem aplicar-se como não ir ao intervalo por ex., agora HUMILHAR uma criança, baixando-lhe as calças? Que na volta nem sabe ao certo que significado do gesto que fez, provavelmente já o teria feito inumeras vezes e como é criança ate teria a sua piada e os adultos riam-se. Neste caso a professora deveria pensar que talvez fosse culpa de NÓS ADULTOS (e a mim me incluo) que achamos piada a certas coisas onde deveriamos repreender.

Uma coisa eu tenho a certeza, se fosse MEU filho, eu saberia como responder a este castigo, era onde a apanha-se, rasgava-lhe a roupa toda, assim ela iria perceber que a humilhação nao é o melhor dos remedios.