A confirmar este aforismo popular, está o polidesportivo do campo da feira, em Estremoz. O nível do empreiteiro que fez a obra e que foi utilizado para “alisar” a placa de cimento devia ter uma “marreca” mais ou menos a meio, pois o piso nasceu torto, mais concretamente, às covas, uma delas no centro do recinto. A obra foi aceite e o empreiteiro recebeu o caroço a que tinha direito e ficou descansado. Responsabilidades nenhumas. Logo que caem uns míseros pingos de chuva o polidesportivo fica alagado, qual piscina descoberta, e inoperacional para a prática de desportiva. Como o piso não tem escoamento, o precioso líquido acumulado no recinto só desaparece por evaporação ao fim de alguns dias após deixar de chover.
Há um outro ditado popular que diz: “quem nada tem, estima o pouco que lhe dão”. Nesta última classe incluo um grupo de africanos que estudam na nossa cidade e, habitualmente, aos sábados, disputam grandes futeboladas no polidesportivo. E porque são daqueles que pouco têm, estimam o recinto como se deles fosse. No sábado de tarde, dia 17 de Janeiro, o recinto encontrava-se alagado até meio campo e os estudantes muniram-se de uma vassoura e, à vez, varreram a água até o piso ficar em condições de praticar desporto. Que grande lição de humildade.
Já me esquecia, para outros “meninos”, a quem tudo se dá e cada vez exigem mais, o polidesportivo do campo da feira serve para exibições de desportos motorizados, em particular de ciclomotores, para gincana de bicicletas, para passeio e exibição de cães, para ver quem é mais forte e tem força suficiente para rebentar com a rede da vedação e, às vezes, para praticar desporto. Estes últimos utilizadores são daquela estirpe que acham que o que é público só serve para estragar.